Quem
deve ser incluído? Como podemos usar a tecnologia como uma alternativa para o
processo de inclusão na educação? Talvez o uso de aplicativos sejam uma
alternativa.
Por
Anaor Terris Rodrigues 4 de setembro de 2017
Quando
se fala em inclusão escolar, é possível que alguém pense em inclusão de
portadores de alguma deficiência. Porém a inclusão que se busca, é muito mais
abrangente e em um sentido de definição minuciosa da palavra, deveria integrar
até mesmo aqueles que são mais fracos do que os mais fortes. Mas alguém com
deficiência pode não necessariamente ser alguém mais fraco e somente possuir
alguma deficiência. Então neste sentido deficiente é diferente de fraco embora
a depender do tipo de deficiência, possa sim contribuir ou determinar um estado
debilitado geral.
Quem é
mais fraco e não deficiente, deve ser incluído? Qualquer dificuldade em relação
ao que os outros não tem dificuldade pode ser considerada uma fraqueza e logo
deve aí haver uma inclusão? Qual o limite entre um problema, um distúrbio e uma
incapacidade? Há essas distinções quando se refere a inclusão?
Poderia
se dizer que todos teriam um ponto fraco, então a inclusão deve ser dada a
todos no tocante ao seu respectivo ponto fraco? Essa inclusão deve ser
personalizada conforme esta fraqueza? Ou é necessário estabelecer uma fronteira
entre o normal e aquele que necessita de inclusão?
Aliás,
o que é inclusão?
Como
vimos, as dúvidas são muitas. Uma definição de inclusão é oportunizar, incluir
e conceder facilidades a certos indivíduos que estariam em desvantagens por
alguma insuficiência orgânica, mental ou social. Mas quando alunos que são melhores
em algum aspecto são minorias, como por exemplo no caso de superdotados ou com
QI mais elevado e sofrem bullying dos
outros alunos? Neste caso quem é melhor no aspecto intelectual, também seria
aluno de inclusão?
O número
de pessoas com doenças crônicas e deficiência aumentam na medida que a medicina
lhes dá mais condições de vida. E as
pessoas normais? Aliás o que é ser normal? Uma pessoa média, pode a qualquer
momento vir a necessitar de inclusão pois pode vir a enfraquecer, tornar-se
incapaz ou deficiente por diversos motivos, como por exemplo fim do vigor,
transformação pessoal, acidente, envelhecimento e etc.. Neste sentido todos precisarão
ou poderão precisar de inclusão e de proteção. Todos já foram crianças
indefesas, estão sujeitos a velhice e estão expostos a uma gama de
acontecimentos negativos possíveis.
A sociedade
reconhece cada vez mais a fragilidade humana e a possibilidade da decadência
individual, portanto uma receptividade a inclusão é cada vez mais incentivada,
seja no meio acadêmico, seja por via das leis.
A tecnologia na educação inclusiva
A
ideologia de transferir genes saudáveis, “melhores” em prol de uma evolução da
raça humana, deixou marcas doloridas e profundas na história. A tecnologia é um
caminho para se alcançar uma evolução humana com a manipulação de genes
saldáveis. Porém assim como o resultado negativo do Nazismo, essa tecnologia gênica,
também implica em possibilidades que as coisas sejam catastróficas.
No
entanto a mesma tecnologia no sentido genérico da palavra, também contribui
espetacularmente para a inclusão, tanto dos deficientes, quanto dos que não são
“altamente adaptados”. Quanto a este último grupo, poder-se-ia dar o exemplo do
próprio ensino a distância. Veja que há duas décadas o ensino superior era
meritocrático e hoje é quase democrático. Ou seja, mesmo quem não fez um
vestibular concorrido e teve o “mérito” de entrar para universidade, pode hoje
fazer parte deste grupo, graças a tecnologia que tornou acessível o Ensino
Superior para muitos.
Essa
mesma tecnologia propicia algo que alguns chamam “A Era da Tecnologia”, que proporciona
uma verdadeira transformação na sociedade. Essa não se deu somente pelo grau de
desenvolvimento da tecnologia em si, mas pelo alcance em proporção da população
que tem acesso a ela.
Smartphones, Apps e Plataformas virtuais e
os problemas da inclusão.
Uma
grande expressão da tecnologia com grande alcance numérico, são os smartphones
e similares com acesso à internet. Temos aí uma inclusão digital em massa.
Segundo
o IBGE, 90% dos domicílios brasileiros
em 2015, acessaram a internet por meio do telefone celular. Mas um terceiro
elemento surge para unir esta combinação de dados enviados e recebidos via
rádio e o hardware. São os Apps.
Palavra esta que é a abreviação da palavra inglesa applications. São os softwares para estes dispositivos. E nestes,
temos os que são exclusivamente voltados para a inclusão. Há Apps para todo tipo
de necessidades especiais, deficiência e para o que mais se imaginar. Desde de
Apps
para problemas de saúde, lembretes de remédios, enfermeiro virtual, tradutor
para libras, escrita em Braille, auxiliar para disléxicos até para aprimoramento
de habilidades de modo geral. Há um número gigantescos de Apps inclusivos. De
certa forma grande parte dos Apps são criados para suprir alguma necessidade.
Na inclusão
institucional considerando os alunos inquestionavelmente de inclusão, que tem
dificuldades de acompanhar o ritmo dos outros alunos, como surdos e os
mentalmente comprometidos, não basta aplicativos para traduzir um texto para
libras ou para explicar um conteúdo de forma fácil e simples em vistas à
dificuldade de compreensão, por exemplo. As aulas devem incluir a dinâmica do
uso destes aplicativos.
Por
outro lado, as aulas das escolas públicas são de péssima qualidade e a
tentativa da inclusão poderia deixá-la ainda pior já que na tentativa de
inclusão passa-se toda a responsabilidade para o professor, que tem que dar
conta de alunos regulares e deficientes ao mesmo tempo, causando uma sobrecarga
de trabalho, queda da qualidade de ensino para os alunos regulares e a não
atenção necessária e qualidade de ensino ainda pior para o aluno de inclusão.
Os
tipos de deficiência são muito variados, de causas complexas e que exigem
estratégias de tratamentos individualizadas. Parece capcioso, disseminar uma
política pública e acadêmica de inclusão para todos os tipos de deficiência em
escola regular pois iria requerer quase um professor para cada grupo pequeno de
alunos especiais, o que o Estado teria ainda mais dificuldades de custear.
Uma
possível alternativa seria algum modo de automação. Um exemplo atual, embora
distante de atender a complexidade do problema da inclusão, mas que poderia ser
considerado um início da automação da educação e um passo em direção a inclusão,
são as plataformas virtuais. Nestes modelos, já existem inclusão para surdos e
como um todo tem forte caráter de automação. Esta estrutura poderia ser
aprimorada de algum modo, para atender diversos tipos de inclusão. Apesar de
iniciativas neste sentido, isso ainda está longe de acontecer plenamente, mas é
possível a médio e a longo prazo. A qualidade cresceria à medida que a
automação direcionada a inclusão aumentasse e a interferência humana fosse
menor a fim de diminuir os custos, com rotinas de ensino automatizadas.
Haveria
de se atentar para que esse processo não diminuísse a inclusão no âmbito
social, que é o principal objetivo da inclusão do aluno deficiente no ensino
regular e que a desumanização do ensino não viesse a causar outro problema.
Ademais o principal requisito seria uma quantidade numérica menor e atenção
plena para estes alunos, o que se torna muito problemático em escolas
regulares, a menos que não se preze pela qualidade e pela efetividade do
ensino.
Com a
nova formatação da sociedade, se as pessoas se recolhem a sua individualidade e
os contatos entre estas são mais conflituosos e problemáticos, ao incluir
alunos especiais a segregação pode ser ainda maior. Por outro lado, como diz Ana
Pavani, professora de engenharia elétrica, os benefícios de iniciativas de
inclusão para o deficiente poderá fazer com que eles mesmos se inspirem a
desenvolver suas próprias ideias no sentido de inclusão e acessibilidade.
De
certa forma as pessoas especiais, estão cada vez mais inclusas e conquistando
direitos, mas ainda não são suficientes e o desrespeito a estas pessoas
prevalece apesar das boas investidas no sentido contrário.
Uso de APPs na Deficiência intelectual
Relacionado
diretamente à aprendizagem escolar, está a deficiência intelectual. Segundo o Instituto Inclusão Brasil nem todas, mas a grande
maioria das crianças brasileiras com algum tipo de deficiência intelectual têm
mais dificuldades na aprendizagem escolar. Porém há de se esclarecer os termos.
O que é deficiência? Deficiência é a “perda ou anormalidade de estrutura ou
função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente.
Incluem-se nessas a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro,
órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções
mentais.
APAE São Bernardo do
Campo
Neste sentido,
Deficiência Intelectual - também podendo ser definida como retardo mental,
deficiência mental e atraso cognitivo, embora prefira-se a utilização do
primeiro termo - é a condição do deficiente intelectual. É o indivíduo que
possui “funcionamento intelectual significativamente inferior à média, acompanhado
de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas
áreas de habilidades como por exemplo comunicação, autocuidados, vida doméstica
habilidades sociais/interpessoais e etc.
As
crianças com um QI de 69 a 84 apresentam dificuldades de aprendizagem, mas não
são consideradas como mentalmente retardadas.
Muitas
vezes é difícil distinguir crianças com deficiência intelectual de outras
crianças com problemas de aprendizagem sem deficiência intelectual, termo que
também se distingue de doença mental, que está relacionado a um estado
patológico e na maioria das vezes tratável.
As
causas e os graus da Deficiência Intelectual são variados, sendo a genética a
mais comum, assim como as complicações perinatais, a má-formação fetal ou os problemas
durante a gravidez.
A inclusão
educacional no atual contexto da Educação Brasileira, não é somente a de alunos
com deficiências, mas também, de todos que apresentam algum tipo de necessidade
e incapacidade podendo ser temporária ou permanente. Também são
alunos de inclusão aqueles que por qualquer razão não conseguiram se formar na
idade escolar adequada sendo estes ainda jovens ou já idosos, como no caso dos
alunos do EJA que são 100% alunos de inclusão.
Um
exemplo de inclusão com o uso de aplicativo para Android ocorreu na Escola Municipal
Palmas localizada em Curitiba entre janeiro de 2017 e agosto de 2017. Até o
término desta matéria, o projeto continuava.
A
equipe pedagógica que veio a constatar que grande parte dos seus alunos tinham algum
grau de deficiência intelectual, um percentual próximo a 30%. Então a diretora Elena,
resolveu desenvolver um projeto piloto com um aplicativo para auxiliar no
aprendizado.
O
aplicativo funcionava contava com a gerenciador de foco, reforçador de ideias,
compromissos, avanço de nível conforme se melhorava a inteligência e toda outra
gama de orientações para alunos deficientes intelectuais ou com aprendizado
insuficiente.
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Hand Talk 1 Aplicativo brasileiro
para inclusão.
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Um
experimento no colégio com a distribuição de tabletes fixos nas carteiras com
este aplicativo instalado, demonstrou que os alunos tiveram grande aumento no
rendimento do aprendizado após 3 meses de uso. Alguns professores chamaram este
aplicativo de Máquina de Ensinar, em alusão ao cientista do comportamento e
aprendizado Burrhus Frederic Skinner.
O
aplicativo, era utilizado principalmente na disciplina de matemática e
português. A faixa etária dos alunos era de 16 anos. A desvantagem era que se
por um lado ganhava em aprendizado, por outro o tempo necessário para aprofundar
nos temas, era perdido para aprofundar nos temas escolares.
Como
disse o professor Aristides, tinha que “passar a régua” e igualar todos no
mesmo sistema. Então os melhores alunos, não usavam seu potencial tendo que
esperar os outros alunos concluírem. No entanto, a pedagoga Luciana, rebateu,
dizendo que após 6 meses com a utilização do novo método, tanto os alunos com
algum problema na cognição como os que não apresentavam tal condição,
melhoraram o rendimento, portanto uma alternativa viável que melhorou tanto os
alunos regulares, como os com algum grau de deficiência intelectual ou atraso.
Apesar
disso alguns professores criticaram que o que demonstrou a melhora, foi na
verdade a diminuição do grau de exigência das provas para adequar ao uso do
aplicativo, já que os alunos que tiravam notas boas, melhoraram muito mais do
que os alunos com problemas cognitivos que tiveram apenas uma pequena melhora.
O processo
de inclusão e o uso de novas tecnologias para esse fim, é um processo
necessário e inevitável a acompanhar o ritmo e perfil da sociedade. Ainda há grandes
desafios, mas este campo é extremamente promissor e cada vez mais deverá ser produzido
sistemas e alternativas que realmente incluam os que necessitarem.
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